Sistema SCR e Arla 32: funcionamento, sensores e manutenção no diesel

O sistema SCR (Selective Catalytic Reduction, ou redução catalítica seletiva) é uma tecnologia de pós-tratamento usada em motores diesel modernos para reduzir com eficiência as emissões de óxidos de nitrogênio (NOx). Graças a ele, caminhões, ônibus e veículos de carga cumprem normas ambientais exigentes; no Brasil, o SCR se popularizou a partir da fase P7 do Proconve (equivalente ao Euro 5) e segue presente na fase P8.

O sistema funciona injetando Arla 32 (Agente Redutor Líquido Automotivo, chamado DEF ou AdBlue em outros mercados), uma solução de ureia de alta pureza a 32,5 % que se decompõe em amônia dentro dos gases de escape. A amônia reage com os NOx num catalisador específico e gera nitrogênio (N₂) e vapor de água, inofensivos.

Como funciona o sistema SCR

A operação começa com a injeção de Arla 32 pelo dosador, que introduz a solução de ureia no fluxo de gases de escape em temperaturas acima de 200 °C. No tubo de decomposição (misturador), a ureia se transforma em amônia (NH₃) e dióxido de carbono, processo essencial para a reação catalítica.

Depois de gerada, a amônia reage com os óxidos de nitrogênio (NOx) ao passar pelo catalisador SCR e os converte em nitrogênio (N₂) e vapor de água (H₂O). Os sensores de NOx instalados antes e depois do catalisador avaliam em tempo real a eficiência da redução e ajustam a dosagem de Arla 32 para manter um rendimento acima de 90 %.

Componentes e sensores do SCR

Sensor de NOx

Mede a concentração de óxidos de nitrogênio em dois pontos-chave, antes e depois do catalisador, e garante a eficácia do processo de redução de emissões.

Sensor de temperatura dos gases de escape (EGT)

Monitora a temperatura em vários pontos do escapamento para garantir que a reação SCR aconteça dentro da faixa de operação, de 200 °C a 450 °C.

Sensor de pressão diferencial do DPF

Nos sistemas que também têm filtro de partículas, avalia a pressão através do DPF, indica obstrução e ativa regenerações automáticas.

Sensor de qualidade do Arla 32

Verifica a concentração de ureia na solução e garante a eficácia química do sistema. Arla fora da especificação, diluído com água ou contaminado, gera falha e limitação de potência.

Sensor de nível do Arla 32

Controla o volume de Arla 32 no tanque para evitar falta do produto em viagem.

Sensor de pressão do sistema SCR

Mantém a pressão adequada na linha de dosagem de Arla 32, otimizando a atomização e a mistura com os gases.

Dosador de ureia e tubo de decomposição

Sistema SCR com dosagem de Arla 32
  1. Tanque de Arla 32Nível e qualidade
  2. Bomba e dosadorEntrada dosada de ureia
  3. Gases com NOxUreia vira amônia (NH₃)
  4. Catalisador SCRSaída: N₂ + CO₂ + H₂O

Sensores de NOx antes e depois do catalisador fecham a malha de dosagem.

O dosador de ureia, instalado junto ao SCR, regula com precisão a vazão de Arla 32 injetada, adaptando-se às condições de operação e aos dados dos sensores. No tubo de decomposição, o desenho favorece a transformação completa da ureia em amônia antes de chegar ao catalisador, maximizando a conversão de NOx.

Calibração e manutenção do SCR

Em motores Cummins, MWM, Mercedes-Benz, Scania, Volvo ou Detroit, a ECM pode receber atualizações de calibração oficiais do fabricante para corrigir a dosagem, a pressão e a estratégia de temperatura. Essas atualizações mantêm o veículo dentro das normas de emissões e podem melhorar a eficiência do combustível. Desativar ou “anular” o SCR é proibido pela legislação ambiental brasileira e não faz parte de um serviço profissional.

Na manutenção preventiva, o técnico diesel deve verificar a qualidade do Arla 32 abastecido, a limpeza do tanque e do filtro do módulo de bomba, cristalização no dosador, vazamentos de escape antes do catalisador e o funcionamento dos sensores. Um serviço completo, de diagnóstico e de software, garante a durabilidade do sistema SCR.